Pense-se no cotidiano do Seridó, na casa varrida com cuidado ao amanhecer, nos preparativos atentos para a Festa de Santana, na conversa solta e ritmada da feira de sábado. Gestos simples, repetidos de geração em geração, que parecem nascer apenas do hábito, mas que, na verdade, carregam uma memória antiga, forjada muito antes de o Seridó existir como o conhecemos. São marcas de um povo que atravessou oceanos, fugiu da perseguição e encontrou, nas vastidões interiores do Nordeste, um lugar onde pudesse sobreviver, adaptar-se e continuar sendo quem era. Essa história não repousa apenas nos livros nem se limita aos arquivos. Ela corre silenciosa no sangue, nos costumes, na forma de organizar a casa, de preparar o alimento e de celebrar a vida. O sertanejo do Seridó, muitas vezes sem o saber, preserva práticas herdadas de hebreus e judeus perseguidos pela Inquisição europeia, homens e mulheres forçados a assumir publicamente o cristianismo, mas que mantiveram, no recato ...
Comentários
Postar um comentário